segunda-feira, 27 de outubro de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
MEMENTO MORI
MEMENTO MORI
Memento mori é uma expressão latina que significa algo como "lembra-te homem que morrerás um dia" ou "lembra-te de que vais morrer".
Wikipédia – agosto 2008.
Lembre-se de que não vais morrer.
Lembre-se de que não, não vais morrer. Por mais que se acabe o corpo, a mente, o todo, o mundo, não vais morrer.
Fica, fica tua e minha e de todos os que já viveram e que ainda viverão. Fica. Fica tudo de todos até que chegue o todo. O Total de todo mundo e ficamos nós! Todos nos nós, nossos nós que fabricamos desde o encontro, o primeiro encontro. De molécula.
Lembre-se de que não morrerás!
A famigerada frase dita pelo escravo ao filósofo hoje não faz sentido. Estamos em evolutivo processo de eternização. Nos tornando amatéria.
Desde o início da humanidade existiu a tentativa de superação da morte. De mágicos, alquímicos e médicos à sublimação religiosa e a certeza da permanência como energia que não pára de circula e muda de habitação.
Não me importo em ser molécula, nem um aglomerado dela. Mas percebo e prefiro os registros que tem me desmanchado enquanto personalidade e unidade. Agora cada um pode continuar sendo nesse mundo tátil.
A fotografia começou assim. O registro visto é tão similar ao que percebemos com os olhos que nos eterniza naquele momento de maneira definitiva (as técnicas de conservação são cada vez mais impressionantes) e verdadeira.
Tanto quanto o livro, que coloca o pensamento sem possibilidade de manutenção e sim de versão. O registrado é definitivo e a mudança de cada idéia deve ter seu registro também.
Mas os dias de hoje tem colocado a grande poção da juventude a cada um que queira ser pra sempre: o vídeo na Internet.
O não lugar da Internet superou o teletransporte. Brincamos de ser Deus (divindade máxima que muda de nome em todo lugar!) na onipresença e na atemporalidade.
O quando deixa de fazer sentido assim que o novo e o velho perdem o seu lugar de importância. Os sentidos são movidos para onde indicamos e se perde dentro de um aespaço que pode ser capturado dentro de máquinas.
Ficamos nós aqui no momento com o tato como o único sentido que ainda nos deixa lembrar que existimos e não estamos sós.
Lembrar não faz sentido.
Saiba que vais morrer. Lembre-se que não vais morrer.
Keyna,
Agosto 2008 – depois de ver...
Memento mori é uma expressão latina que significa algo como "lembra-te homem que morrerás um dia" ou "lembra-te de que vais morrer".
Wikipédia – agosto 2008.
Lembre-se de que não vais morrer.
Lembre-se de que não, não vais morrer. Por mais que se acabe o corpo, a mente, o todo, o mundo, não vais morrer.
Fica, fica tua e minha e de todos os que já viveram e que ainda viverão. Fica. Fica tudo de todos até que chegue o todo. O Total de todo mundo e ficamos nós! Todos nos nós, nossos nós que fabricamos desde o encontro, o primeiro encontro. De molécula.
Lembre-se de que não morrerás!
A famigerada frase dita pelo escravo ao filósofo hoje não faz sentido. Estamos em evolutivo processo de eternização. Nos tornando amatéria.
Desde o início da humanidade existiu a tentativa de superação da morte. De mágicos, alquímicos e médicos à sublimação religiosa e a certeza da permanência como energia que não pára de circula e muda de habitação.
Não me importo em ser molécula, nem um aglomerado dela. Mas percebo e prefiro os registros que tem me desmanchado enquanto personalidade e unidade. Agora cada um pode continuar sendo nesse mundo tátil.
A fotografia começou assim. O registro visto é tão similar ao que percebemos com os olhos que nos eterniza naquele momento de maneira definitiva (as técnicas de conservação são cada vez mais impressionantes) e verdadeira.
Tanto quanto o livro, que coloca o pensamento sem possibilidade de manutenção e sim de versão. O registrado é definitivo e a mudança de cada idéia deve ter seu registro também.
Mas os dias de hoje tem colocado a grande poção da juventude a cada um que queira ser pra sempre: o vídeo na Internet.
O não lugar da Internet superou o teletransporte. Brincamos de ser Deus (divindade máxima que muda de nome em todo lugar!) na onipresença e na atemporalidade.
O quando deixa de fazer sentido assim que o novo e o velho perdem o seu lugar de importância. Os sentidos são movidos para onde indicamos e se perde dentro de um aespaço que pode ser capturado dentro de máquinas.
Ficamos nós aqui no momento com o tato como o único sentido que ainda nos deixa lembrar que existimos e não estamos sós.
Lembrar não faz sentido.
Saiba que vais morrer. Lembre-se que não vais morrer.
Keyna,
Agosto 2008 – depois de ver...
sábado, 26 de julho de 2008
Para não esquecer!
Funes, o Memorioso
Jorge Luis Borges
Recordo-o (não tenho o direito de pronunciar esse verbo sagrado, apenas um homem na terra teve o direito e tal homem está morto) com uma obscura passiflórea na mão, vendo-a como ninguém jamais a vira, ainda que a contemplasse do crepúsculo do dia até o da noite, uma vida inteira. Recordo-o, o rosto taciturno e indianizado e singularmente remoto, por trás do cigarro. Recordo (creio) suas mãos delicadas de trançador. Recordo próximo dessas mãos um mate, com as armas da Banda Oriental, recordo na janela da casa uma esteira amarela, com uma vaga paisagem lacustre. Recordo claramente a sua voz; a voz pausada, ressentida e nasal de orillero antigo, sem os assobios italianos de agora. Mais de três vezes não o vi; a última, em 1887... Parece-me muito feliz o projeto de que todos aqueles que o conheceram escrevam sobre ele; meu testemunho será por certo o mais breve e sem dúvida o mais pobre, porém não o menos imparcial do volume que vós editareis. A minha deplorável condição de argentino impedir-me-á de incorrer no ditirambo - gênero obrigatório no Uruguai; quando o tema é um uruguaio. Literato, cajetilla, porteño. Funes não disse essas palavras injuriosas, mas de um modo suficiente me consta que eu representava para ele tais desventuras. Pedro Leandro Ipuche escreveu que Funes era um precursor dos super-homens; "Um Zaratustra cimarrón e vernáculo"; não o discuto, mas não se deve esquecer que era também natural de Fray Bentos, com certas limitações incuráveis.
A minha primeira lembrança de Funes é muito clara. Vejo-o em um entardecer de Março ou Fevereiro do ano de 1884. Meu pai, nesse ano, levara-me a veranear em Fray Bentos. Voltava com meu primo Bernardo Haedo da estância de San Francisco. Voltávamos cantando, a cavalo, e essa não era a única circunstância da minha felicidade. Após um dia abafado, uma enorme tempestade cor cinza escura havia escondido o céu. Alentava-me o vento Sul, já enlouqueciam-se as árvores; eu tinha o temor (a esperança) de que nos surpreenderia em um descampado a água elemental. Apostamos uma espécie de corrida com a tempestade. Entramos em um desfiladeiro que se aprofundava entre duas veredas altíssimas de tijolo. Escurecera repentinamente; ouvi passos rápidos e quase secretos no alto; levantei os olhos e vi um rapaz que corria pela vereda estreita e esburacada como que por uma parede estreita e esburacada. Recordo a bombacha, as alpargatas, recordo o cigarro no rosto duro, contra a densa nuvem já sem limites. Bernardo gritou-lhe imprevisivelmente: Que horas são, Ireneo? Sem consultar o céu, sem deter-se, o outro respondeu: Faltam quatro minutos para as oito, jovem Bernardo Juan Francisco. A voz era aguda, zombeteira.
Sou tão distraído que o diálogo a que acabo de me referir não teria chamado a minha atenção se não o tivesse enfatizado o meu primo, a quem estimulavam (creio) certo orgulho local, e o desejo de mostrar-se indiferente à réplica tripartite do outro.
Disse-me que o rapaz do desfiladeiro era um tal Ireneo Funes, conhecido por algumas peculiaridades como a de não se dar com ninguém e a de saber sempre a hora, como um relógio. Complementou dizendo que era filho de uma passadeira do povo, Maria Clementina Funes, e que alguns diziam que seu pai era um médico de saladeiro, um inglês O’Connor, e outros um domador ou rastreador do departamento de Salto. Vivia com a sua mãe, na curva da quinta dos Laureles.
Nos anos de 1885 e 1886 veraneamos na cidade de Montevideo. Em 1887 voltei a Fray Bentos. Perguntei, como é natural, por todos os conhecidos e, finalmente, pelo "cronométrico Funes". Responderam-me que um redomão o havia derrubado na estância de San Francisco, e que havia se tornado paralítico, sem esperança. Recordo a sensação de incômoda magia que a notícia despertou-me: a única vez que eu o vi, vínhamos a cavalo de San Francisco e ele andava em um lugar alto; o fato, na boca do meu primo Bernardo, tinha muito de sonho elaborado com elementos anteriores. Disseram-me que não se movia da cama, os olhos repousados na figueira do fundo ou em uma teia de aranha. Ao entardecer, permitia que o levassem para perto da janela. Levava a arrogância ao ponto de simular que era benéfico o golpe que o havia fulminado... Duas vezes o vi atrás da relha, que toscamente enfatizava a sua condição de eterno prisioneiro; uma, imóvel, com os olhos cerrados; outra, imóvel também, absorto na contemplação de um aromático galho de santonina.
Não sem um certo orgulho havia iniciado naquele tempo o estudo metódico do latim. A minha mala incluía o De viris illustribus de Lhamond, o Thesaurus de Quicherat, os comentários de Júlio César e um volume ímpar da Naturalis historia de Plínio, que excedia (e continua excedendo) as minhas modestas virtudes de latinista. Tudo se propaga em um povoado; Ireneo, em seu rancho das orillas, não tardou em enteirar-se da chegada desses livros anômalos. Dirigiu-me uma carta florida e cerimoniosa, na qual recordava no encontro, desditosamente fugaz, "do dia 7 de Fevereiro de 1884", ponderava os gloriosos serviços que Don Gregorio Haedo, meu tio, falecido nesse mesmo ano, "havia prestado às duas pátrias na valorosa jornada de Ituzaingó", e me solicitava o empréstimo de qualquer dos volumes, acompanhado de um dicionário "para a boa intelecção do texto original, pois todavia ignoro o latim". Prometia devolvê-los em bom estado, quase imediatamente. A letra era perfeita, muito perfilada; a ortografia, do tipo que Andrés Bello preconizou: i por y, j por g. A princípio, suspeitei naturalmente tratar-se de uma zombaria. Meus primos asseguraram que não, que eram coisas de Ireneo. Não sabia se atribuía ao atrevimento, à ignorância ou à estupidez a idéia de que o árduo latim não requeresse mais instrumento do que um dicionário; para desencorajá-lo completamente enviei-lhe o Gradus ad parnassum de Quicherat e a obra de Plínio.
No dia 14 de Fevereiro telegrafaram-me de Buenos Aires que voltasse imediatamente, pois meu pai não estava "nada bem". Deus me perdôe; o prestígio de ser o destinatário de um telegrama urgente, o desejo de comunicar a toda Fray Bentos a contradição entre a forma negativa da notícia e o peremptório advérbio, a tentação de dramatizar a minha dor, fingindo um estoicismo viril, talvez distraíram-me de toda a possibilidade de dor. Ao fazer a mala, notei que me faltavam o Gradus e o primeiro tomo da Naturalis historia. O "Saturno" sarpava no dia seguinte, pela manhã; essa noite, depois da janta, dirigi-me à casa de Funes. Assombrou-me que a noite fora não menos pesada que o dia.
No humilde rancho, a mãe de Funes recebeu-me.
Disse-me que Ireneo estava no quarto dos fundos e que não me estranhasse encontrá-lo às escuras, pois Ireneo preferia passar as horas mortas sem acender a vela. Atrevessei o pátio de lajota, o pequeno corredor; cheguei ao segundo pátio. Havia uma parreira; a escuridão pareceu-me total. Ouvi prontamente a voz alta e zombeteira de Ireneo. Essa voz falava em latim; essa voz (que vinha das trevas) articulava com moroso deleite um discurso, ou prece, ou encantamento. Ressoavam as sílabas romanas no pátio de terra; o meu temor as tomava por indecifráveis, intermináveis; depois, no enorme diálogo dessa noite, soube que formavam o primeiro parágrafo do 24o capítulo do 7o livro da Naturalis historia. O tema desse capítulo é a memória: as últimas palavras foram ut nihil non iisdem verbis redderetur auditum.
Sem a menor mudança de voz, Ireneo disse-me o que se passara. Estava na cama, funmando. Parece-me que não vi o seu rosto até a aurora; creio lembrar-me da brasa momentânea do cigarro. O quarto exalava um vago odor de umidade. Sentei-me, repeti a estória do telegrama e da enfermidade de meu pai.
Chego, agora, ao ponto mais difícil do meu relato. Este (é bem verdade que já o sabe o leitor) não tem outro argumento senão esse diálogo de há já meio século. Não tratarei de reproduzir as suas palavras, irrecuperáveis agora. Prefiro resumir com veracidade as muitas coisas que me disse Ireneo. O estilo indireto é remoto e débil; eu sei que sacrifico a eficácia do meu relato; que os meus leitores imaginem os períodos entrecortados que me abrumaram essa noite.
Ireneo começou por enumerar, em latim e espanhol, os casos de memória prodigiosa registrados pela Naturalis historia: Ciro, rei dos persas, que sabia chamar pelo nome todos os soldados de seus exércitos; Metríadates e Eupator, que administrava a justiça dos 22 idiomas de seu império; Simónides, inventor da mnemotecnia; Metrodoro, que professava a arte de repetir com fidelidade o escutado de uma só vez. Com evidente boa fé maravilhou-se de que tais casos maravilharam. Disse-me que antes daquela tarde chuvosa em que o azulego o derrubou, ele havia sido o que são todos os cristãos; um cego, um surdo, um tolo, um desmemoriado. (Tratei de recordar-lhe a percepção exata do tempo, a sua memória de nomes próprios; não me fez caso.) Dezenove anos havia vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo. Ao cair, perdeu o conhecimento; quando or ecobrou, o presente era quase intolerável de tão rico e tão nítido, e também as memórias mais antigas e mais triviais. Pouco depois averiguou que estava paralítico. Fato pouco o interessou. Pensou (sentiu) que a imobilidade era um preço mínimo. Agora a sua percepção e sua memória eram infalíveis.
Num rápido olhar, nós percebemos três taças em uma mesa; Funes, todos os brotos e cachos e frutas que se encontravam em uma parreira. Sabia as formas das nuvens austrais do amanhecer de trinta de abril de 1882 e podia compará-los na lembrança às dobras de um livro em pasta espanhola que só havia olhado uma vez e às linhas da espuma que um remo levantou no Rio Negro na véspera da ação de Quebrado. Essas lembranças não eram simples; cada imagem visual estava ligada a sensações musculares, térmicas, etc. Podia reconstruir todos os sonhos, todos os entresonhos. Duas ou três vezes havia reconstruído um dia inteiro, não havia jamais duvidado, mas cada reconstrução havia requerido um dia inteiro. Disse-me: Mais lembranças tenho eu do que todos os homens tiveram desde que o mundo é mundo. E também: Meus sonhos são como a vossa vigília. E também, até a aurora; Minha memória, senhor, é como depósito de lixo. Uma circunferência em um quadro-negro, um triângulo retângulo; um losango, são formas que podemos intuir plenamente; o mesmo se passava a Ireneo com as tempestuosas crinas de um potro, com uma ponta de gado em um coxilha, com o fogo mutante e com a cinza inumerável, com as muitas faces de um morto em um grande velório. Não sei quantas estrelas via no céu.
Essas coisas me disse; nem então nem depois coloquei-as em dúvida. Naquele tempo não havia cinematógrafos nem fonógrafos; é, no entanto, verossímil e até incrível que ninguém fizera um experimento com Funes. O cérto é que vivemos postergando todo o postergável; talvez todos saibamos pronfundamente que somos imortais e que mais cedo ou mais tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.
A voz de Funes, vinda da escuridão, seguia falando.
Disse-me que em 1886 havia elaborado um sistema original de numeração e que em muito poucos dias havia ultrapassado vinte e quatro mil. Não o havia escrito, porque o pensado uma só vez já não podia desvanecer-lhe. Seu primeiro estímulo, creio, foi o descontentamento de que os trinta e três uruguaios requeressem dois signos e três palavras, em lugar de uma só palavra e um só signo. Aplicou logo esse desparatado princípio aos outros números. Em lugar de sete mil e treze, dizia (por exemplo) Máximo Pérez; em lugar de sete mil e catorze, A Ferrovia; outros números eram Luis Melián Lafinur, Olivar, enxofre, os rústicos, a baleia, o gás, a caldeira, Napoleão, Agustín de Vedia. Em lugar de quinhentos, dizia nove. Cada palavra tinha um signo particular, uma espécie de marca; as últimas eram muito complicadas... Eu tratei de explicar-lhe que essa rapsódia de vozes desconexas era precisamente o contrário de um sistema de numeração. Eu lhe observei que dizer 365 era dizer três centenas, seis dezenas, cinco unidades; análise que não existe nos "números". O Negro Timoteo a manta de carne. Funes não me entendeu ou não quis me entender.
Locke, no século XVII, postulou (ou reprovou) um idioma impossível no qual cada coisa individual, cada pedra, cada pássaro e cada ramo tivesse um nome próprio; Funes projetou alguma vez um idioma análogo, mas o desejou por parecer-lhe demasiado geral, demasiado ambígüo. De fato, Funes não apenas recordava cada folha de cada árvore de cada monte, mas também cada uma das vezes que a havia percebido ou imaginado. Resolveu reduzir cada uma de suas jornadas pretéritas a umas setenta mil lembranças, que definiria logo por cifras. Dissuadiram-no duas considerações: a consciência de que a tarefa era interminável, a consciência de que era inútil. Pensou que na hora da morte não havia acabo ainda de classificar todas as lembranças da infância.
Os dois projetos que foi indicado (um vocabulário infinito para a série natural dos números, um inútil catálogo mental de todas as imagens da lembrança) são insensatos, mas revelam certa balbuciante grandeza. Nos deixam vislumbrar ou inferir o vertiginoso mundo de Funes. Este, não o esqueçamos, era quase incapaz de idéias gerais, platônicas. Não apenas lhe custava compreender que o símbolo genérico cão abarcava tantos indivíduos díspares de diversos tamanhos e diversa forma; perturbava-lhe que o cão das três e catorze (visto de perfil) tivesse o mesmo nome que o cão das três e quatro (visto de frente). Sua própria face no espelho, suas próprias mãos, surpreendiam-no cada vez. Comenta Swift que o imperador de Lilliput discernia o movimento do ponteiro dos minutos; Funes discernia continuamente os avanços tranqüilos da corrupção, das cáries, da fatiga. Notava os progressos da morte, da umidade. Era o solitário e lúcido espectador de um mundo multiforme, instantâneo e quase intolerantemente preciso. Babilônia, Londres e Nova York têm preenchido com feroz esplendor a imaginação dos homens; ninguém, em suas torres populosas ou em suas avenidas urgentes, sentira o calor e a pressão de uma realidade tão infatigável como a que dia e noite convergia sobre o infeliz Ireneo, em seu pobre subúrbio sulamericano. Era-llhe muito difícil dormir. Dormir é distrair-se do mundo; Funes, de costas na cama, na sombra, figurava a si mesmo cada rachadura e cada moldura das casas distintas que o redoavam. (Repito que o menos importante das suas lembranças era mais minucioso e mais vivo que nossa percepção de um gozo físico ou de um tormento físico). Em direção ao leste, em um trecho não pavimentado, havia casas novas, desconhecidas. Funes as imaginava negras, compactas, feitas de treva homogênea; nessa direção virava o rosto para dormir. Também era seu costume imaginar-se no fundo do rio, mexido e anulado pela corrente.
Havia aprendido sem esforço o inglês, o francês, o português, o latim. Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.
A receosa claridade da madrugada entrou pelo pátio de terra.
Então vi a face da voz que toda a noite havia falado. Ireneo tinha dezenove anos; havia nascido em 1868; pareceu-me tão monumental como o bronze, mais antigo que o Egito, anterior às profecias e às pirâmides. Pensei que cada uma das minhas palavras (que cada um dos meus gestos) perduraria em sua implacável memória; entorpeceu-me o temor de multiplicar trejeitos inúteis.
Ireneo Funes morreu em 1889, de uma congestão pulmonar.
Tradução de Marco Antonio Frangiotti
(in Jorge Luis Borges: Prosa Completa, Barcelona: Ed. Bruguera, 1979, vol. 1., pgs. 477-484).
Jorge Luis Borges
Recordo-o (não tenho o direito de pronunciar esse verbo sagrado, apenas um homem na terra teve o direito e tal homem está morto) com uma obscura passiflórea na mão, vendo-a como ninguém jamais a vira, ainda que a contemplasse do crepúsculo do dia até o da noite, uma vida inteira. Recordo-o, o rosto taciturno e indianizado e singularmente remoto, por trás do cigarro. Recordo (creio) suas mãos delicadas de trançador. Recordo próximo dessas mãos um mate, com as armas da Banda Oriental, recordo na janela da casa uma esteira amarela, com uma vaga paisagem lacustre. Recordo claramente a sua voz; a voz pausada, ressentida e nasal de orillero antigo, sem os assobios italianos de agora. Mais de três vezes não o vi; a última, em 1887... Parece-me muito feliz o projeto de que todos aqueles que o conheceram escrevam sobre ele; meu testemunho será por certo o mais breve e sem dúvida o mais pobre, porém não o menos imparcial do volume que vós editareis. A minha deplorável condição de argentino impedir-me-á de incorrer no ditirambo - gênero obrigatório no Uruguai; quando o tema é um uruguaio. Literato, cajetilla, porteño. Funes não disse essas palavras injuriosas, mas de um modo suficiente me consta que eu representava para ele tais desventuras. Pedro Leandro Ipuche escreveu que Funes era um precursor dos super-homens; "Um Zaratustra cimarrón e vernáculo"; não o discuto, mas não se deve esquecer que era também natural de Fray Bentos, com certas limitações incuráveis.
A minha primeira lembrança de Funes é muito clara. Vejo-o em um entardecer de Março ou Fevereiro do ano de 1884. Meu pai, nesse ano, levara-me a veranear em Fray Bentos. Voltava com meu primo Bernardo Haedo da estância de San Francisco. Voltávamos cantando, a cavalo, e essa não era a única circunstância da minha felicidade. Após um dia abafado, uma enorme tempestade cor cinza escura havia escondido o céu. Alentava-me o vento Sul, já enlouqueciam-se as árvores; eu tinha o temor (a esperança) de que nos surpreenderia em um descampado a água elemental. Apostamos uma espécie de corrida com a tempestade. Entramos em um desfiladeiro que se aprofundava entre duas veredas altíssimas de tijolo. Escurecera repentinamente; ouvi passos rápidos e quase secretos no alto; levantei os olhos e vi um rapaz que corria pela vereda estreita e esburacada como que por uma parede estreita e esburacada. Recordo a bombacha, as alpargatas, recordo o cigarro no rosto duro, contra a densa nuvem já sem limites. Bernardo gritou-lhe imprevisivelmente: Que horas são, Ireneo? Sem consultar o céu, sem deter-se, o outro respondeu: Faltam quatro minutos para as oito, jovem Bernardo Juan Francisco. A voz era aguda, zombeteira.
Sou tão distraído que o diálogo a que acabo de me referir não teria chamado a minha atenção se não o tivesse enfatizado o meu primo, a quem estimulavam (creio) certo orgulho local, e o desejo de mostrar-se indiferente à réplica tripartite do outro.
Disse-me que o rapaz do desfiladeiro era um tal Ireneo Funes, conhecido por algumas peculiaridades como a de não se dar com ninguém e a de saber sempre a hora, como um relógio. Complementou dizendo que era filho de uma passadeira do povo, Maria Clementina Funes, e que alguns diziam que seu pai era um médico de saladeiro, um inglês O’Connor, e outros um domador ou rastreador do departamento de Salto. Vivia com a sua mãe, na curva da quinta dos Laureles.
Nos anos de 1885 e 1886 veraneamos na cidade de Montevideo. Em 1887 voltei a Fray Bentos. Perguntei, como é natural, por todos os conhecidos e, finalmente, pelo "cronométrico Funes". Responderam-me que um redomão o havia derrubado na estância de San Francisco, e que havia se tornado paralítico, sem esperança. Recordo a sensação de incômoda magia que a notícia despertou-me: a única vez que eu o vi, vínhamos a cavalo de San Francisco e ele andava em um lugar alto; o fato, na boca do meu primo Bernardo, tinha muito de sonho elaborado com elementos anteriores. Disseram-me que não se movia da cama, os olhos repousados na figueira do fundo ou em uma teia de aranha. Ao entardecer, permitia que o levassem para perto da janela. Levava a arrogância ao ponto de simular que era benéfico o golpe que o havia fulminado... Duas vezes o vi atrás da relha, que toscamente enfatizava a sua condição de eterno prisioneiro; uma, imóvel, com os olhos cerrados; outra, imóvel também, absorto na contemplação de um aromático galho de santonina.
Não sem um certo orgulho havia iniciado naquele tempo o estudo metódico do latim. A minha mala incluía o De viris illustribus de Lhamond, o Thesaurus de Quicherat, os comentários de Júlio César e um volume ímpar da Naturalis historia de Plínio, que excedia (e continua excedendo) as minhas modestas virtudes de latinista. Tudo se propaga em um povoado; Ireneo, em seu rancho das orillas, não tardou em enteirar-se da chegada desses livros anômalos. Dirigiu-me uma carta florida e cerimoniosa, na qual recordava no encontro, desditosamente fugaz, "do dia 7 de Fevereiro de 1884", ponderava os gloriosos serviços que Don Gregorio Haedo, meu tio, falecido nesse mesmo ano, "havia prestado às duas pátrias na valorosa jornada de Ituzaingó", e me solicitava o empréstimo de qualquer dos volumes, acompanhado de um dicionário "para a boa intelecção do texto original, pois todavia ignoro o latim". Prometia devolvê-los em bom estado, quase imediatamente. A letra era perfeita, muito perfilada; a ortografia, do tipo que Andrés Bello preconizou: i por y, j por g. A princípio, suspeitei naturalmente tratar-se de uma zombaria. Meus primos asseguraram que não, que eram coisas de Ireneo. Não sabia se atribuía ao atrevimento, à ignorância ou à estupidez a idéia de que o árduo latim não requeresse mais instrumento do que um dicionário; para desencorajá-lo completamente enviei-lhe o Gradus ad parnassum de Quicherat e a obra de Plínio.
No dia 14 de Fevereiro telegrafaram-me de Buenos Aires que voltasse imediatamente, pois meu pai não estava "nada bem". Deus me perdôe; o prestígio de ser o destinatário de um telegrama urgente, o desejo de comunicar a toda Fray Bentos a contradição entre a forma negativa da notícia e o peremptório advérbio, a tentação de dramatizar a minha dor, fingindo um estoicismo viril, talvez distraíram-me de toda a possibilidade de dor. Ao fazer a mala, notei que me faltavam o Gradus e o primeiro tomo da Naturalis historia. O "Saturno" sarpava no dia seguinte, pela manhã; essa noite, depois da janta, dirigi-me à casa de Funes. Assombrou-me que a noite fora não menos pesada que o dia.
No humilde rancho, a mãe de Funes recebeu-me.
Disse-me que Ireneo estava no quarto dos fundos e que não me estranhasse encontrá-lo às escuras, pois Ireneo preferia passar as horas mortas sem acender a vela. Atrevessei o pátio de lajota, o pequeno corredor; cheguei ao segundo pátio. Havia uma parreira; a escuridão pareceu-me total. Ouvi prontamente a voz alta e zombeteira de Ireneo. Essa voz falava em latim; essa voz (que vinha das trevas) articulava com moroso deleite um discurso, ou prece, ou encantamento. Ressoavam as sílabas romanas no pátio de terra; o meu temor as tomava por indecifráveis, intermináveis; depois, no enorme diálogo dessa noite, soube que formavam o primeiro parágrafo do 24o capítulo do 7o livro da Naturalis historia. O tema desse capítulo é a memória: as últimas palavras foram ut nihil non iisdem verbis redderetur auditum.
Sem a menor mudança de voz, Ireneo disse-me o que se passara. Estava na cama, funmando. Parece-me que não vi o seu rosto até a aurora; creio lembrar-me da brasa momentânea do cigarro. O quarto exalava um vago odor de umidade. Sentei-me, repeti a estória do telegrama e da enfermidade de meu pai.
Chego, agora, ao ponto mais difícil do meu relato. Este (é bem verdade que já o sabe o leitor) não tem outro argumento senão esse diálogo de há já meio século. Não tratarei de reproduzir as suas palavras, irrecuperáveis agora. Prefiro resumir com veracidade as muitas coisas que me disse Ireneo. O estilo indireto é remoto e débil; eu sei que sacrifico a eficácia do meu relato; que os meus leitores imaginem os períodos entrecortados que me abrumaram essa noite.
Ireneo começou por enumerar, em latim e espanhol, os casos de memória prodigiosa registrados pela Naturalis historia: Ciro, rei dos persas, que sabia chamar pelo nome todos os soldados de seus exércitos; Metríadates e Eupator, que administrava a justiça dos 22 idiomas de seu império; Simónides, inventor da mnemotecnia; Metrodoro, que professava a arte de repetir com fidelidade o escutado de uma só vez. Com evidente boa fé maravilhou-se de que tais casos maravilharam. Disse-me que antes daquela tarde chuvosa em que o azulego o derrubou, ele havia sido o que são todos os cristãos; um cego, um surdo, um tolo, um desmemoriado. (Tratei de recordar-lhe a percepção exata do tempo, a sua memória de nomes próprios; não me fez caso.) Dezenove anos havia vivido como quem sonha: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo. Ao cair, perdeu o conhecimento; quando or ecobrou, o presente era quase intolerável de tão rico e tão nítido, e também as memórias mais antigas e mais triviais. Pouco depois averiguou que estava paralítico. Fato pouco o interessou. Pensou (sentiu) que a imobilidade era um preço mínimo. Agora a sua percepção e sua memória eram infalíveis.
Num rápido olhar, nós percebemos três taças em uma mesa; Funes, todos os brotos e cachos e frutas que se encontravam em uma parreira. Sabia as formas das nuvens austrais do amanhecer de trinta de abril de 1882 e podia compará-los na lembrança às dobras de um livro em pasta espanhola que só havia olhado uma vez e às linhas da espuma que um remo levantou no Rio Negro na véspera da ação de Quebrado. Essas lembranças não eram simples; cada imagem visual estava ligada a sensações musculares, térmicas, etc. Podia reconstruir todos os sonhos, todos os entresonhos. Duas ou três vezes havia reconstruído um dia inteiro, não havia jamais duvidado, mas cada reconstrução havia requerido um dia inteiro. Disse-me: Mais lembranças tenho eu do que todos os homens tiveram desde que o mundo é mundo. E também: Meus sonhos são como a vossa vigília. E também, até a aurora; Minha memória, senhor, é como depósito de lixo. Uma circunferência em um quadro-negro, um triângulo retângulo; um losango, são formas que podemos intuir plenamente; o mesmo se passava a Ireneo com as tempestuosas crinas de um potro, com uma ponta de gado em um coxilha, com o fogo mutante e com a cinza inumerável, com as muitas faces de um morto em um grande velório. Não sei quantas estrelas via no céu.
Essas coisas me disse; nem então nem depois coloquei-as em dúvida. Naquele tempo não havia cinematógrafos nem fonógrafos; é, no entanto, verossímil e até incrível que ninguém fizera um experimento com Funes. O cérto é que vivemos postergando todo o postergável; talvez todos saibamos pronfundamente que somos imortais e que mais cedo ou mais tarde, todo homem fará todas as coisas e saberá tudo.
A voz de Funes, vinda da escuridão, seguia falando.
Disse-me que em 1886 havia elaborado um sistema original de numeração e que em muito poucos dias havia ultrapassado vinte e quatro mil. Não o havia escrito, porque o pensado uma só vez já não podia desvanecer-lhe. Seu primeiro estímulo, creio, foi o descontentamento de que os trinta e três uruguaios requeressem dois signos e três palavras, em lugar de uma só palavra e um só signo. Aplicou logo esse desparatado princípio aos outros números. Em lugar de sete mil e treze, dizia (por exemplo) Máximo Pérez; em lugar de sete mil e catorze, A Ferrovia; outros números eram Luis Melián Lafinur, Olivar, enxofre, os rústicos, a baleia, o gás, a caldeira, Napoleão, Agustín de Vedia. Em lugar de quinhentos, dizia nove. Cada palavra tinha um signo particular, uma espécie de marca; as últimas eram muito complicadas... Eu tratei de explicar-lhe que essa rapsódia de vozes desconexas era precisamente o contrário de um sistema de numeração. Eu lhe observei que dizer 365 era dizer três centenas, seis dezenas, cinco unidades; análise que não existe nos "números". O Negro Timoteo a manta de carne. Funes não me entendeu ou não quis me entender.
Locke, no século XVII, postulou (ou reprovou) um idioma impossível no qual cada coisa individual, cada pedra, cada pássaro e cada ramo tivesse um nome próprio; Funes projetou alguma vez um idioma análogo, mas o desejou por parecer-lhe demasiado geral, demasiado ambígüo. De fato, Funes não apenas recordava cada folha de cada árvore de cada monte, mas também cada uma das vezes que a havia percebido ou imaginado. Resolveu reduzir cada uma de suas jornadas pretéritas a umas setenta mil lembranças, que definiria logo por cifras. Dissuadiram-no duas considerações: a consciência de que a tarefa era interminável, a consciência de que era inútil. Pensou que na hora da morte não havia acabo ainda de classificar todas as lembranças da infância.
Os dois projetos que foi indicado (um vocabulário infinito para a série natural dos números, um inútil catálogo mental de todas as imagens da lembrança) são insensatos, mas revelam certa balbuciante grandeza. Nos deixam vislumbrar ou inferir o vertiginoso mundo de Funes. Este, não o esqueçamos, era quase incapaz de idéias gerais, platônicas. Não apenas lhe custava compreender que o símbolo genérico cão abarcava tantos indivíduos díspares de diversos tamanhos e diversa forma; perturbava-lhe que o cão das três e catorze (visto de perfil) tivesse o mesmo nome que o cão das três e quatro (visto de frente). Sua própria face no espelho, suas próprias mãos, surpreendiam-no cada vez. Comenta Swift que o imperador de Lilliput discernia o movimento do ponteiro dos minutos; Funes discernia continuamente os avanços tranqüilos da corrupção, das cáries, da fatiga. Notava os progressos da morte, da umidade. Era o solitário e lúcido espectador de um mundo multiforme, instantâneo e quase intolerantemente preciso. Babilônia, Londres e Nova York têm preenchido com feroz esplendor a imaginação dos homens; ninguém, em suas torres populosas ou em suas avenidas urgentes, sentira o calor e a pressão de uma realidade tão infatigável como a que dia e noite convergia sobre o infeliz Ireneo, em seu pobre subúrbio sulamericano. Era-llhe muito difícil dormir. Dormir é distrair-se do mundo; Funes, de costas na cama, na sombra, figurava a si mesmo cada rachadura e cada moldura das casas distintas que o redoavam. (Repito que o menos importante das suas lembranças era mais minucioso e mais vivo que nossa percepção de um gozo físico ou de um tormento físico). Em direção ao leste, em um trecho não pavimentado, havia casas novas, desconhecidas. Funes as imaginava negras, compactas, feitas de treva homogênea; nessa direção virava o rosto para dormir. Também era seu costume imaginar-se no fundo do rio, mexido e anulado pela corrente.
Havia aprendido sem esforço o inglês, o francês, o português, o latim. Suspeito, contudo, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes não havia senão detalhes, quase imediatos.
A receosa claridade da madrugada entrou pelo pátio de terra.
Então vi a face da voz que toda a noite havia falado. Ireneo tinha dezenove anos; havia nascido em 1868; pareceu-me tão monumental como o bronze, mais antigo que o Egito, anterior às profecias e às pirâmides. Pensei que cada uma das minhas palavras (que cada um dos meus gestos) perduraria em sua implacável memória; entorpeceu-me o temor de multiplicar trejeitos inúteis.
Ireneo Funes morreu em 1889, de uma congestão pulmonar.
Tradução de Marco Antonio Frangiotti
(in Jorge Luis Borges: Prosa Completa, Barcelona: Ed. Bruguera, 1979, vol. 1., pgs. 477-484).
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Upiano
O que ficou de melhor:
. Funes, o Memorioso - o reencontro com esse texto foi maravilhoso! Pra quem nunca lu é uma maravilha conhecer Borges atravez desse conto!
. Roquette Pinto - o cara foi diretor de museu, O Museu Nacional, e escreveu "História Natural dos Pequeninos", só conheci um trecho, mas já estou pesquisando para ler todo. Vale a pena pra quem trabalha com educação e com museus.
. Tommaso Campanella, "Cidade do sol" - a Utopia de um religioso! As crianças aprendem artes brincando... o livro e curto e vale a pena, li numa tarde.
. Troca de contatos com outros educadores.
. Perceber que fiz o certo em vir e optar pelas ações que optei!
. Roquette Pinto - o cara foi diretor de museu, O Museu Nacional, e escreveu "História Natural dos Pequeninos", só conheci um trecho, mas já estou pesquisando para ler todo. Vale a pena pra quem trabalha com educação e com museus.
. Tommaso Campanella, "Cidade do sol" - a Utopia de um religioso! As crianças aprendem artes brincando... o livro e curto e vale a pena, li numa tarde.
. Troca de contatos com outros educadores.
. Perceber que fiz o certo em vir e optar pelas ações que optei!
sábado, 19 de julho de 2008
Capitão de indústria
Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Ah
Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo p'rá trabalhar
Eu durmo p'rá trabalhar
Eu corro p'rá trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que
Passa
E polui o ar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Ah
Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Eu acordo p'rá trabalhar
Eu durmo p'rá trabalhar
Eu corro p'rá trabalhar
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça que
Passa
E polui o ar
Eu nada sei
Eu não vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Paralamas do sucesso
mais...
Texto entregue à turma. Não foi discutido, mas vale a leitura.
Precisa-se de Matéria Prima para construir um País
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no Collor, ou no Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde não existe a cultura pela leitura e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.
Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!!
É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda...
Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?....
MEDITE!!!!!
A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no Collor, ou no Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde não existe a cultura pela leitura e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.
Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!!
É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda...
Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?....
MEDITE!!!!!
texto adaptado a partir do original
João Ubaldo Ribeiro
Mas João, o que é isso? Que mau humor! Espero que esse espelho tenha lhe dito coisas boas também e que a partir dessas críticas você se torne uma pessoa mais!
Eu reconheço muitos dos meus defeitos e luto com eles bravamente mas o mais importante desse meu jeito é que tenho certesa de que não estou sozinha.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Mais do mini curso! Mais a aulinha mesmo:
"O índivíduo percebe o passado através do presente"
Museu
- Instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento.
- Museus são janelas, portas e portais, elos poéticos entre memória e o esquecimento, entre o eu e o outro. Elos políticos entre o sim e o não, entre o indivíduo e a sociedade.
Tudo que é humano tem espaço nos museus
Cultura
- A cultura é uma lente através da qual o homem vê o mundo. - Benedict, Ruth 1972
A Cultura expressa nossa relação com a rpodução e a reprodução da vida, por isso vem do verbo cultivar.
Educação
-Processo permanente de construção e aperfeiçoamento das diferentes formas de apreenção do mundo.
____________________________________________
Em 1958 algumas sugestões foram registradas sobre a área de educação em museus:
*Necessidade de criar instituição de formação.
*Adequção do museu
*Inserção dentro da comunidade
*Objetivação de conceitos abstratos veiculados pelo ensino formal
*Atendimento à nessecidadees sociais através de departamentos educativos ou de serviços didáticos
*Reafirmação do objeto como cerne do museu, com a utilização de todos os recursos disponíveis para produzir uma relação harmoniosa entre sujeito e objeto
*Consideração da exposição enquanto meio específico dos museus
_______________________________________________
O papel educacional dos museus: conscientização, libertação e fruição
O papel educacional dos museus é crucial, independente de sua tipologia.
Museu = organização cultural dentro de uma estrutura contraditória e socialmente desigual - a educação no museu deve ser vista nesse contexto.
O papel educacional do museu tornou-se parte das políticas culturais
______________________________________________
Ações práticas educativas:
São diversas as práticas educativas que podem ser desnvolvidas em um museu. São, na verdade, formas de mediação, que possibilitarão a interpretação dos bens culturais.
Visitas monitoradas
Encontros com professores
Programa para famílias
Oficina de férias
Folhas de atividades
Jogos e brincadeiras
Materiais lúdicos
Exposições itinerantes
Programas multimídia
Filmes
Sessões dramatizadas
Site
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Pena eu só conseguir parar depois de tudo ter acabado
As impressões diárias foram muito importantes para o resultado final, mas não aparecem aqui por conta de tempo mesmo.
Foi um fórum muito bom em muitos aspectos, saio daqui uma profissional melhor, uma mãe melhor também.
Os contatos feitos são ainda mais ricos que qualquer atividade oficial, a troca no dia a dia do que estão fazendo pelo Brasil é importante para perceber o quão boa é a equipe que eu trabalho, como é bom o espaço que ocupo junto com todo o universo da arte-educação - termo tão novo que até o computador tenta corrigir automaticamente.
Mas isso, essa opção de vida, é auto corretiva a cada instante.
Que bom que a gente é gente!
____________________________________________
Mini curso
Ação Educativa em museus
Aparecida primeiro deu um panorama mais acadêmico de onde estamos trabalhando para, no encerramento trocarmos as situações diversas:
*O que é museu
*Museus no Brasil
*Sobre educação
*Educação em Museus
*Troca de experiências
O conceito de museu tem mudanças profundas durante a história da humanidade. Vem de Museion ou Casa das Musas onde era uma mistura de templo e instituição de pesquisa, voltado para o saber filosófico e histórico; passa pelo gabinete de curiosidades que tem uma função de mostra de exentricidades e afirmação de posição social, elegância e boa educação; vem com Ashmolean Museum que tem uma função mais de especialistas, com coleções mais científicas.
Logo depois vem O Palácio Hermitage (!!!!!) onde a relação com o público começa a existir, a restrição era às pessoas que tinham o trages cerimoniais da corte russa (só os bem vestidos!); e o Louvre, me 1793 que veio para reafirmar a posição da classe dominante com seu acervo rico e pomposo numa arquitetura ostentatória.
No Brasil vêm do período colonial com a Casa Xavier dos Pássaros, com a chegada da família real.
Dentro do tema do Fórum, assistimos dois vídeos de museus feitos pela comunidade - Museu de Venãncio Aires e Museu da Maré.
Museu de Venâncio Aires - sensacional! Uma pequena cidade do Rio Grande do Sul onde a população juntou suas peças pessoais transformando em acervo histórico único. Têm de máquinas de costura à camas, roupas, arma antigas... tudo resultado de doações das famílais venanciairenses (?).
A cidade desenvolveu sua auto estima de maneira tão significante que os moradores compraram a sede do museu que custou quinhentos mil dólares!!! Cada morador comprou um metro quadrado do casarão e dividiu em três anos. Maravilhoso.
Sobre o Museu da Maré eu sabia mais. Mas é muito importante o que o museu fez com a comunidade e o que a comunidade fez do museu. A relação ficou tão profunda que a vergonha perdeu lugar para o orgulho. Ninguém mais tinha vergonha de falar que mora na Maré: "Eu não apago meu passado, quem não tem passado não tem história"
As impressões diárias foram muito importantes para o resultado final, mas não aparecem aqui por conta de tempo mesmo.
Foi um fórum muito bom em muitos aspectos, saio daqui uma profissional melhor, uma mãe melhor também.
Os contatos feitos são ainda mais ricos que qualquer atividade oficial, a troca no dia a dia do que estão fazendo pelo Brasil é importante para perceber o quão boa é a equipe que eu trabalho, como é bom o espaço que ocupo junto com todo o universo da arte-educação - termo tão novo que até o computador tenta corrigir automaticamente.
Mas isso, essa opção de vida, é auto corretiva a cada instante.
Que bom que a gente é gente!
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Mini curso
Ação Educativa em museus
Aparecida primeiro deu um panorama mais acadêmico de onde estamos trabalhando para, no encerramento trocarmos as situações diversas:
*O que é museu
*Museus no Brasil
*Sobre educação
*Educação em Museus
*Troca de experiências
O conceito de museu tem mudanças profundas durante a história da humanidade. Vem de Museion ou Casa das Musas onde era uma mistura de templo e instituição de pesquisa, voltado para o saber filosófico e histórico; passa pelo gabinete de curiosidades que tem uma função de mostra de exentricidades e afirmação de posição social, elegância e boa educação; vem com Ashmolean Museum que tem uma função mais de especialistas, com coleções mais científicas.
Logo depois vem O Palácio Hermitage (!!!!!) onde a relação com o público começa a existir, a restrição era às pessoas que tinham o trages cerimoniais da corte russa (só os bem vestidos!); e o Louvre, me 1793 que veio para reafirmar a posição da classe dominante com seu acervo rico e pomposo numa arquitetura ostentatória.
No Brasil vêm do período colonial com a Casa Xavier dos Pássaros, com a chegada da família real.
Dentro do tema do Fórum, assistimos dois vídeos de museus feitos pela comunidade - Museu de Venãncio Aires e Museu da Maré.
Museu de Venâncio Aires - sensacional! Uma pequena cidade do Rio Grande do Sul onde a população juntou suas peças pessoais transformando em acervo histórico único. Têm de máquinas de costura à camas, roupas, arma antigas... tudo resultado de doações das famílais venanciairenses (?).
A cidade desenvolveu sua auto estima de maneira tão significante que os moradores compraram a sede do museu que custou quinhentos mil dólares!!! Cada morador comprou um metro quadrado do casarão e dividiu em três anos. Maravilhoso.
Sobre o Museu da Maré eu sabia mais. Mas é muito importante o que o museu fez com a comunidade e o que a comunidade fez do museu. A relação ficou tão profunda que a vergonha perdeu lugar para o orgulho. Ninguém mais tinha vergonha de falar que mora na Maré: "Eu não apago meu passado, quem não tem passado não tem história"
Eu não tenho tempo a perder...
3o. Fórum Nacional de Museus - 07 a 11 de Julho de 2008
Florianópolis - SC
Campus da UFSC
-Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento
Programação
07/07/2008 - segunda-feira
Manhã
09h às 17h – Credenciamento e novas inscrições
Tarde
14h às 17h – Reunião dos Grupos de Trabalho
18h – Abertura oficial
08/07/2008 – terça-feira
Tarde
14h às 17h – Mini-cursos
17h30min – Conferência – Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento
Mario Chagas (DEMU/IPHAN), Mário Moutinho (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias/Portugal) e Hugues de Varine-Bohan (consultor em desenvolvimento local e comunitário e ex-Presidente do ICOM no período de 1965 a 1974)
09/07/2008 – quarta-feira
Tarde
14h às 17h – Mini-cursos
Reunião dos Grupos de Trabalho
17h30min – Conferência – Memória, Cultura e SociedadeUlpiano Bezerra de Menezes (Universidade de São Paulo) e Fernando Pinheiro (Universidade de São Paulo)
10/07/2008 – quinta-feira
Manhã
09h às 13h - Painéis
Painel 07 – Economia dos Museus
José Nascimento Junior (DEMU/IPHAN), Eduardo Saron (Instituto Itaú Cultural), Ana Carla Fonseca Reis (Cultura e Mercado), Frederico Barbosa (IPEA)
Painel 08 – A arte e os museus como fator de mudança social e desenvolvimento
Martha Niklaus (Galeria do Lago/Museu da República/IPHAN), Cláudia Márcia Ferreira (Centro Nacional de Cultura Popular/IPHAN), Márcio Caires (Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô), Gabriela Aidar (Pinacoteca do Estado/SP)
Tarde
15h às 18h – Mini-cursos
O que é o quê? E o quê que eu fiz!
Grupos de Trabalho
I – Museus de arte - Luiz Guilherme Vergara (Museu de Arte Contemporânea de Niterói/RJ)
II – Museus de história - Magaly Cabral (Museu da República/IPHAN)
III – Museus de culturas militares - Almirante Armando de Senna Bittencourt (Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha)
IV - Museus de ciência e tecnologia - Marcus Granato (Museu de Astronomia e Ciências Afins/MAST)
V – Museus etnográficos e arqueológicos - Carlos Caroso (Museu de Arqueologia e Etnologia/UFBA) e Regina Abreu (Universidade Federal do Rio de Janeiro/UNIRIO)
VI – Museus comunitários e ecomuseus - Antônio Carlos Pinto Vieira (Museu da Maré)
VII – Museus da imagem e do som e de novas tecnologias - Rosa Maria Araújo (Museu da Imagem e do Som/RJ) e Rafael Maldonado (Museu da Imagem e do Som/MS)
Mini-cursos
I - Plano Museológico: Implantação, Gestão e Organização de Museus
Marcio Rangel (DEMU/IPHAN) e Rose Miranda (DEMU/IPHAN)
II - Elaboração de Projetos e Fomento para a Área Museológica
Vinícius Barcelos (DEMU/IPHAN) e Átila Tolentino (DEMU/IPHAN)
III - Segurança em Museus
Ronaldo Braga de Oliveira (RBO Consult/Arquivo Nacional)
IV - Estudos de Público
Adriana Mortara Almeida (ICOM Brasil) e Luciana Sepúlveda (Fiocruz/Observatório de Museus)
V - Ação Educativa em Museus
Aparecida Rangel (Fundação Casa de Rui Barbosa)
VI - Conservação de Acervos
Luiz A. C. Souza (CECOR/EBA/UFMG) e Wívian Diniz (CECOR/EBA/UFMG)
VII - Museus e Turismo
Telma Lasmar (UFF/UNIPLI) e Tânia Omena (UNIRIO/UNISUAM/ABBTUR-RJ)
VIII - Redes e Sistemas de Museus
Joana Sousa Monteiro (Rede Portuguesa de Museus) e Simone Flores (Sistema Estadual de Museus do Rio Grande do Sul)
Florianópolis - SC
Campus da UFSC
-Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento
Programação
07/07/2008 - segunda-feira
Manhã
09h às 17h – Credenciamento e novas inscrições
Tarde
14h às 17h – Reunião dos Grupos de Trabalho
18h – Abertura oficial
08/07/2008 – terça-feira
Tarde
14h às 17h – Mini-cursos
17h30min – Conferência – Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento
Mario Chagas (DEMU/IPHAN), Mário Moutinho (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias/Portugal) e Hugues de Varine-Bohan (consultor em desenvolvimento local e comunitário e ex-Presidente do ICOM no período de 1965 a 1974)
09/07/2008 – quarta-feira
Tarde
14h às 17h – Mini-cursos
Reunião dos Grupos de Trabalho
17h30min – Conferência – Memória, Cultura e SociedadeUlpiano Bezerra de Menezes (Universidade de São Paulo) e Fernando Pinheiro (Universidade de São Paulo)
10/07/2008 – quinta-feira
Manhã
09h às 13h - Painéis
Painel 07 – Economia dos Museus
José Nascimento Junior (DEMU/IPHAN), Eduardo Saron (Instituto Itaú Cultural), Ana Carla Fonseca Reis (Cultura e Mercado), Frederico Barbosa (IPEA)
Painel 08 – A arte e os museus como fator de mudança social e desenvolvimento
Martha Niklaus (Galeria do Lago/Museu da República/IPHAN), Cláudia Márcia Ferreira (Centro Nacional de Cultura Popular/IPHAN), Márcio Caires (Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô), Gabriela Aidar (Pinacoteca do Estado/SP)
Tarde
15h às 18h – Mini-cursos
O que é o quê? E o quê que eu fiz!
Grupos de Trabalho
I – Museus de arte - Luiz Guilherme Vergara (Museu de Arte Contemporânea de Niterói/RJ)
II – Museus de história - Magaly Cabral (Museu da República/IPHAN)
III – Museus de culturas militares - Almirante Armando de Senna Bittencourt (Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha)
IV - Museus de ciência e tecnologia - Marcus Granato (Museu de Astronomia e Ciências Afins/MAST)
V – Museus etnográficos e arqueológicos - Carlos Caroso (Museu de Arqueologia e Etnologia/UFBA) e Regina Abreu (Universidade Federal do Rio de Janeiro/UNIRIO)
VI – Museus comunitários e ecomuseus - Antônio Carlos Pinto Vieira (Museu da Maré)
VII – Museus da imagem e do som e de novas tecnologias - Rosa Maria Araújo (Museu da Imagem e do Som/RJ) e Rafael Maldonado (Museu da Imagem e do Som/MS)
Mini-cursos
I - Plano Museológico: Implantação, Gestão e Organização de Museus
Marcio Rangel (DEMU/IPHAN) e Rose Miranda (DEMU/IPHAN)
II - Elaboração de Projetos e Fomento para a Área Museológica
Vinícius Barcelos (DEMU/IPHAN) e Átila Tolentino (DEMU/IPHAN)
III - Segurança em Museus
Ronaldo Braga de Oliveira (RBO Consult/Arquivo Nacional)
IV - Estudos de Público
Adriana Mortara Almeida (ICOM Brasil) e Luciana Sepúlveda (Fiocruz/Observatório de Museus)
V - Ação Educativa em Museus
Aparecida Rangel (Fundação Casa de Rui Barbosa)
VI - Conservação de Acervos
Luiz A. C. Souza (CECOR/EBA/UFMG) e Wívian Diniz (CECOR/EBA/UFMG)
VII - Museus e Turismo
Telma Lasmar (UFF/UNIPLI) e Tânia Omena (UNIRIO/UNISUAM/ABBTUR-RJ)
VIII - Redes e Sistemas de Museus
Joana Sousa Monteiro (Rede Portuguesa de Museus) e Simone Flores (Sistema Estadual de Museus do Rio Grande do Sul)
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Eu vivo pra trabalhar...
Chegar nesse forum foi uma aventura.
Quinze horas de carro com uma bebê de sete meses para cruzar o sudeste e chegar ao sul do país. Em alguns lugares esse seria o tempo de cruzar alguns países. Com a filhota foi tranquilo.
Eu é que já estava de saco cheio mesmo!...
Quinze horas de carro com uma bebê de sete meses para cruzar o sudeste e chegar ao sul do país. Em alguns lugares esse seria o tempo de cruzar alguns países. Com a filhota foi tranquilo.
Eu é que já estava de saco cheio mesmo!...
Eu acordo pra trabalhar...
VOLTA AO MORRO PANTANAL!
Bem começando meus relatos...
Forum Nacional de Museus! O terceiro.
Para mim o segundo. Já cheguei nesse forum cheia de expectativas e vontades e diferente da oura vez, com total segurança da minha condição profissional (mulher contê).
O local: Florianópolis - UFSC
Essa sigla se fala de uma vez, como um espirro, ufsc!
Como eu cheguei no dia da abertura, dava chegar mais devagar, mas detalhe, acompanhada de carrinh e Eloah tão animada como eu para conhecer de tudo, e mais, de todos!
Da primeira impressão não pude deixar de reparar no ônibus que parava dentro do campus com o nome "Volta ao Morro Pantanal", sensacional! O ônibus já conta para gente o que faz: dá uma volta. E olha, eu fiquei sabendo que esse morro nem é tão grande, mas deve ser importante para merecer essa volta tão anunciada, vai saber...
A estrutura do evento ótima, como no anterior em Ouro preto (aguardem notícias do passado no futuro!). Recebo um kit com informações sobre tudo que acontecerá e onde tenho todo esse universo.
Ok. Não sou museóloga. Que diabos estou fazendo pela segunda vez nesse forum? A maioria esmagadora é de museólogos (óbvio e ululante), mas a área de atuação do meu trabalho é a área deles. O museu. E essa instituição se torna ainda mais rica com a convivência interdisciplinar e a existência relevante do museu. Por não ser museóloga eu tenho mais é que estar aqui mesmo.
Reencontro com Magali Cabral (será que é com y?). Exemplo. Foi o que viv com ela no forum passado que me fez querer tanto estar aqui agora.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
KEYNASÓTRABALHAPONTOCOMPONTOBÊÉRRE
Essa é uma feliz iniciativa minha.
Depois de muitos pedidos e realmente muita necessidade vem esse blog para confirmar minha experiências e expectativas.
Meu Curriculum Vivo.
Sou daquelas que trabalha até dormindo... e ainda arranjei mais essa pra me ocupar!
Só eu mesmo
Depois de muitos pedidos e realmente muita necessidade vem esse blog para confirmar minha experiências e expectativas.
Meu Curriculum Vivo.
Sou daquelas que trabalha até dormindo... e ainda arranjei mais essa pra me ocupar!
Só eu mesmo
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